A vida após o nascimento

No ventre de uma mãe gravida havia três embriões. Um deles era o pequeno crente, o outro era o pequeno desconfiado e o terceiro embrião era o pequeno descrente.

O pequeno desconfiado perguntou: “Vocês acreditam, de verdade, que há vida após o nascimento?”.

O pequeno crente respondeu entusiasmado: “Claro que isso existe. Nossa vida aqui é pensada para que possamos crescer e para que possamos nos preparar para a vida após o nascimento, para que estejamos fortes o bastante para o que nos espera”.

O terceiro, o descrente, irritado com o rumo da conversa, interveio: “Bobagem. Isso não existe. Não faz sentido. Vocês conseguem imaginar algo assim, uma vida depois daqui?”.

O segundo: “Eu não sei ao certo como será. Mas, com certeza, vai ser mais claro do que aqui. Talvez possamos correr por aí e comer com a boca”.

O primeiro, já arrependido de ter começado aquela conversa:

“Quanta conversa fiada! Correr por aí, isso não é possível. E comer com a boca, que ideia mais cômica! Para isso existe o cordão umbilical, que nos alimenta. E, além do mais, não tem como haver uma vida após o nosso nascimento porque o cordão umbilical já está ficando curto agora. Que dirá para correr por aí”.

O segundo: “Eu creio que uma vida após o nascimento pode funcionar sim. Mas talvez seja bem diferente do que somos capazes de imaginar agora”.

O terceiro: “Nunca ninguém voltou depois de haver nascido. Com o nascimento, tudo chega ao fim. E a vida não passa daqui, essa escuridão num lugar apertado”.

O segundo: “Mesmo que eu não saiba muito bem como possa ser uma vida depois do nascimento, ainda assim creio que então poderemos ver nossa mãe”.

O primeiro: “Não sei, não! Desconfio que a vida acaba por aqui mesmo”.

O terceiro: “Mãe? Você acredita numa mãe? Então me diga onde ela está!”.

O segundo: “Ela está aqui... Em todo lugar. Nós somos e vivemos nela e através dela. Sem ela não existiríamos”.

O terceiro: “Você quer me convencer de um absurdo desses? Você aí (apontando para o primeiro embrião)! Tem razão. Nunca percebi nada que pudesse me convencer da existência de uma mãe. Estou convencido de que ela não existe e ponto final”.

O segundo: “Sabem, algumas vezes, quando nos aquietamos aqui dentro, podemos até ouvi-la cantar... Ou sentir quando ela acaricia o nosso mundo. Eu acredito que, somente então, nossa vida vai começar de verdade”.

Enquanto isso, a mãe, que já estava tendo cólicas com tanta agitação em seu ventre, começou a acariciar o pequeno mundo de seus dois meninos e de sua menina.
A vida após o nascimento